Nosso destino é criar
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San Francisco - Não é café, nem petróleo ou avião. Enfim, depois de tortuosos 508 anos de vida, descobrimos nossa vocação: é criar, formar conceitos, conectar pontos, inventar, abrir as portas do inusitado. Os brasileiros, que desde 2006 investem mais no mundo que o mundo no Brasil (US$ 152 bilhões em ativos, segundo a KPMG), estão em vias de dominar a criação nos Estados Unidos, desde publicitários, designers, músicos, gente da moda e até empresários. Agora, temos um produto, a criatividade, um projeto, espalhar nossa criação nos quatro cantos do mundo, e um objetivo para esta revolução criativa: gerar dividendos para nós.

Mergulhados num prato de frango ao curry, regado a água de coco, num barulhento restaurante asiático aqui, na capital da inovação, PJ Pereira (sócio de Nizan Guanaes nos Estados Unidos), Bruno Ewald, cineasta e sobrinho do Rubens, e eu vamos resolvendo os problemas nacionais e citando nomes que, hoje em dia, são mais falados nos Estados Unidos que no Brasil: Ícaro Dória, da Saatchi & Saatchi New York; Ricardo Figueira, da Isobar; Fernanda Romano, da JWT. O próprio PJ já é um dos criativos mais festejados aqui em San Francisco, através da Pereira & O’Dell. Leia mais…





Alô? Preciso da sua ajuda para salvar o mundo
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Seattle – Quando tomava seu último drinque num restaurante de Nova York na noite em que comemorou seu 52º aniversário, dia 13 de março deste ano, Jamie Dimon, CEO e chairman do JP Morgan Chase, recebeu um chamado dos diretores do Bear Stearns, a venerável casa bancária nova-iorquina, àquela altura vítima de uma corrida sem precedentes. “Precisamos de US$ 30 bilhões para fechar o caixa esta noite”, imploraram. Dimon deu dois goles, pensou alguns segundos já ia respondendo um sonoro não quando avaliou que ali estava o início de uma catástrofe de proporções globais. A festa de aniversário não só tinha acabado para ele. Naquela noite e nas 72 horas seguintes, em frenéticas negociações, Dimon mobilizou o presidente do Banco Central, o secretário do Tesouro e toda uma cadeia de milhares de contadores, advogados, consultores, e gerentes ao redor do mundo para salvar o Bear. Acabou comprando o banco por uma ninharia (“uma coisa é você comprar uma casa, a outra é comprar uma casa em chamas”, disse ele) por dez dólares a ação, com o aval do BC americano.
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Tiger Woods, a vitória de todas as raças
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Seattle - Tiger Woods, o descendente de negros, brancos, europeus, índios e asiáticos que aos 32 anos já é considerado o maior jogado de golfe de todos os tempos, a ponto de ser criticado por acabar com a competitividade neste esporte que encanta os americanos - “o máximo que você consegue é um segundo lugar”- anunciou que vai abandonar o gramado nos próximos meses para trocar parte do joelho esquerdo. Ao vencer o US Open pela quinta vez, outro recorde histórico, Tiger vai ter de ficar de molho por um motivo bastante comum aos atletas: já operou do joelho, não deu tempo para a natureza recuperá-lo, e agora vai ter de sofrer uma nova cirurgia.
Tiger, californiano nascido Eldrick Tont Woods, será o primeiro atleta a fazer um bilhão de dólares nos Estados Unidos agora em 2010. Onipresente na mídia  - além dos torneios ele é garoto-propaganda de empresas como a Accenture (”Be a Tiger”), Nike e a Gatorade, agora vem sendo alvo de teses, não só de jornalistas como de estudiosos, para explicar seu estilo calmo,  focado e impertubável, “uma verdadeiro abismo entre seus olhos e o meio ambiente que o cerca”, como definiu o colunista David Brooks, do The New York Times e da PBS, a tv americana. Além da concentração, uma vontade infinita de vencer, força só vista até hoje com o nadador Mark Spitz (”o importante não é competir, é vencer”), o ciclista Lance Armstrong ou Michael Jordan, o jogador de basquete que permanecia no ar, como Dadá Maravilha ,e, lá em cima, fazia o diabo com a bola.

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Abaixo os políticos (e viva a política)
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San Francisco, Califórnia – Quando no poder, ou próximos a ele, os políticos roubam (ou deixam roubar), favorecem interesses (mesmo os bons) ou simplesmente embolsam gordos salários e não fazem nada. A culpa não é deles. Como os gregos descobriram ao inventar a democracia, é próprio do ser humano querer agradar a todos, mentir ou acomodar-se às benesses da Corte. E, mais ainda, fazer de tudo para não perder esta boquinha.
Mas a possibilidade de extirpar os políticos – e preservar a política – está chegando. Depois de uma semana fazendo um documentário para a TV brasileira sobre a revolução da colaboração aqui no Vale do Silício, fica fácil entender porque a era do intermediário – políticos, vendedores de seguros, consultores, advogados e até jornalistas – está chegando ao fim.
O fenômeno da internet – e da colaboração – democratiza a informação e, conseqüentemente, o poder. Mais do que a TV, a Internet hoje é, por exemplo, o banco dos réus dos representantes que dizem nos representar. Os internautas, libertários por natureza e gregários no cotidiano, quase elegeram o obstetra Ron Paul (“fim do imposto de renda e das forças armadas”) candidato republicano à presidência dos Estados Unidos. Leia mais…





Show de bola nos gringos
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Torcida brasileiraSeattle – Brasileiro, aqui nas proximidades do Pólo Norte, é que nem Deus. Todo mundo sabe que existe, mas ninguém vê. Semana passada, quando o escrete passou na cidade para derrotar o Canadá, deu Brasil em tudo quanto é canto. Calculava-se cerca de sete mil brazucas em Seattle, mas praticamente todo o estádio Qwest Field, que recebeu 47 mil pagantes, era de pedros e marias, josés e aparecidas, uma onda verde amarela que Seattle jamais vai esquecer.
O domingo, como sempre, estava frio e chuvoso (aqui é a cidade que mais chove nos Estados Unidos, e talvez na Via Láctea toda), mas desde o meio-dia começou a brotar no centro da cidade gente bonita, queimada de sol e com pouca roupa. Depois de cerveja e caipirinha, temperadas com músicos brasileiros locais (sim, eles existem), a seleção entrou em campo e aí foi uma zorra total. Exaltados, brasileiros chegarem a ser presos e liberados em seguida. No aquário dos jornalistas, lúgrube e infeliz, choveram lamentos sobre o “espetáculo deplorável de futebol estilo Dunga” que estávamos vendo.
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Receita para advogados: como convencer os juízes
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Antonin Gregory ScaliaSeattle – Acaba de sair aqui o festejado livro do Antonin Gregory Scalia, o falcão da Suprema Corte norte-americana que, escolhido por Ronald Reagan, tornou-se o pavor dos advogados americanos antes, durante e até depois dos julgamentos. Em Making Your Case, The Art of Persuading Judges, Scalia, um ítalo-americano nascido em Nova Jersey, debulha em 115 pequenas lições a arte de dobrar os juízes a favor dos clientes, de forma que eles se sintam fiéis da balança, fiéis ao chamado espírito da lei e, mais importante, fiéis de que jamais contraditados no futuro.

Mesmo para nós, eventuais réus, o livro é uma delícia, porque força os rábulas que invadem o mundo, em torno de 950 mil só nos Estados Unidos, a fazerem o dever de casa. Antes de disparar lições com uma surpreendente capacidade de síntese, Scalia adverte que juízes só podem ser persuadidos se (1) eles têm uma idéia clara do que os advogados estão pedindo para a Corte fazer, (2) se eles têm certeza de que a Corte tem o poder de fazer o que eles estão pedindo, para, então, (3) ouvidas todas as razões (inclusive da parte contrária), concluírem que o que você está pedindo é o melhor – não só no seu caso como nos casos que virão. Leia mais…





Viagem fantástica
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Jill Bolte TaylorSeattle – Segundos depois de despertar numa fria manhã em 10 de dezembro de 1996, a neuroanotomista norte-americana Jill Bolte Taylor sentiu uma fisgada na cabeça, semelhante àquela sensação de quando tomamos sorvete rapidamente. Levantou-se e, já no banho, perplexa e intrigada, sentiu estar numa viagem alucinógena, onde os pingos do chuveiro pareciam brincar com as células do seu corpo. Aos 37 anos, uma das maiores especialistas do mundo em cérebro estava sofrendo um derrame cerebral provocado por uma hemorragia craniana do tamanho de uma bola de golfe. Nas quatro horas seguintes, foi médica e paciente, feitiço e feiticeira, atriz e espectadora: numa cronologia aterrorizante, assistiu de camarote à perda da fala, da capacidade de ler, de escrever e de reagir a estímulos externos, sentidos alojados na parte esquerda da sua cabeça. Virou uma criança num corpo de mulher. Depois de operada, extirpada a hemorragia, demorou nove anos para se recuperar.

Tanto no best seller “My Stroke of Insight” quanto no vídeo que faz sucesso na internet, Taylor ostra um cérebro (real) cortado ao meio, brinca com a massa marrom-clara e defende, como ninguém, a independência entre as partes esquerda e direita. A direita, diz ela, é a parte do nós, das intuições, das trocas de energias, da felicidade, da expansão da nossa consciência. A esquerda é a parte intelectual, do eu, introvertida, calculista, metódica, linear, é aquele diabinho que nos lembra as contas a pagar, nos põe medo na hora de enfrentar o mundo e que, por isto mesmo, nos faz sofrer. Quando acordou do pesadelo de quatro horas, Taylor, uma loira energética com voz de quem fala e é ouvida, sentiu uma extrema sensação de paz, euforia, como se não houvesse mais problemas no mundo. Humildemente, despediu-se da vida e preparou-se para o que ela chama de “transição”. Leia mais…